Segunda-feira, 8 / 2 / 2010   

  SONHOS DE UMA GUERREIRA DE NHAMUNDA

 SONHOS DE GUERREIRA.

Eu tenho muitas saudades da minha aldeia querida.

Não tinha a luz, mas eu contemplava um céu estrelado com a lua cheia clareando os montes, serras e prados.

Sem ruas e avenidas, mas eu caminhava por entre relvas verdejantes rumo as mais belas paisagens exuberantes na minha selva.

Não havia carros, mais eu tinha a canoa que singrava os mais belos rios de águas límpidas serpenteando panoramas inesquecíveis.

Todas as manhãs, eu lavava o meu rosto nas águas mornas e purificadoras. Tateando as linhas marcantes de minha face, hoje, contando sementes de Tento para confeccionar mais um adereço, me dou conta dos traçados disformes enrijecidos pelo tempo.

Cheguei ao encontro, da Estação da vida.

Não sei se eu volto ou fico.

Ah minha aldeia, quantas saudades...

Longa é a jornada que estou enfrentando a passos trôpegos. As adversidades e a solidão têm sido as minhas companheiras inseparáveis.

Quanto mais envido esforços para sobressair de tantas ciladas na vida, mas, me defronto com desafios quase intransponíveis. Pelo sim, pelo não, me faltam forças, e sou levada pelas incertezas, arremessada em sonhos às barrancas disformes polidas pelo sopro dos ventos e correntezas.

Pisoteando no barro vermelho, encalho, tento dar um passo, e o lodo viscoso, verde-musgo pressiona meus calcanhares aniquilando minhas energias.

Vejo as sanguessugas a decorar minhas pernas, fico inerte, tomo fôlego e os raios dourados do rei Sol, me socorrem invadindo todo o meu ser.

Lágrimas do sol lavam os meus olhos, e o meu corpo ardente queima em chamas de esperanças, sou invadida pela mais tenra energias cósmicas do universo.

Reagindo a situação em ímpeto, respiro e alcanço com a mão esquerda a primeira fenda do paredão aberta pelo suspiro da terra mãe, rumo a centenas de ninhos de andorinhas e pássaros tantos.

É a crucificação dos meus deslizes no tórrido, gelatinoso e movediço barro escaldante, nas extensas enseadas das barrancas do caudaloso rio que dão guarida aos espíritos e almas mil.

Com a mão direita, em desespero, relembro do sinal da santa Cruz, mas, não tenho mais forças.

A ação da natureza é fulminante, do barro nasci e a terra eu volto.

Nos recônditos secreto do meu espírito, estão guardadas todas as minhas energias que relutam em não aceitar o levantar da bandeira branca, mais uma vez sou alavancada pelos fios dourados do meu sol abrasador, e dou o primeiro passo cheio de vida que salta firme para o grande encontro.

Eu sou a mulher, a índia humilhada, escrava, estuprada, empregada, sem voz, lar, filhos, sem parentes e nem aderentes, em eterna luta por um lugar ao por do sol.

Rei sol, que mora, saltita e bombeia no meu coração, é o amor pulsante e imorredouro da minha vida.

Não haverei de me entregar às aves de rapina, nem aos porcos que enlameiam meus recantos.

Minha beleza é única e sagrada e com as forças de minha alma, saio das paredes do pântano vertical, com o espírito blindado e encouraçado para enfrentar a tudo e a todos.

Sonhos de Guerreira.

Sou guerreira, sou vencedora, sou cabocla sonhadora.

Sou filha da natureza,

Sou anjo, sou gente, sou mãe e pai.

Sou povo,

Sou um ser iluminado,

Sou uma cabocla sonhadora,

Sou a flâmula da esperança,

Sou a bandeira verde amazônica.

Sou a filha das selvas,

Sou a carapaça da portentosa tartaruga,

Sou o âmago das árvores do meu amado Brasil,

Sou o canto dos pássaros,

Sou a canoeira,

Sou a timoneira do novo florão da América.

Sou a filha dos índios sem a pátria amada.

Sou as corredeiras que vislumbram um horizonte.

Sou os montes e planálticos amazônicos.

Sou os rios, igarapés e paranás.

Sou as correntezas que vão ao encontro dos rios e mares.

Sou a nova mulher dos milhões de amazonidas.

Sou o divisor de águas de mil fronteiras.

Sou mil rios do Amazonas.

Sou os campos férteis de milhões de seres.

Sou a criança desvalida, com um sorriso.

Sou a pedra esverdeada de todos os tempos.

Sou o Muiraquitã.

Sou a semente que espalha a vida.

Sou a fonte da água benfeitora.

Sou o rouxinol do cantarolar.

Sou o uirapuru dos cânticos sagrados.

Sou a alma do seringueiro.

Sou a veia do caboclo.

Sou a bravura do guerreiro Jamundá.

Sou audácia dos Cabanos.

Sou vida, sou amor, sou Luz!

Sou a Amazona.

Sou você mulher sonhadora!

Sou você.

Uma mulher guerreira, igualzinha a você!

Sou o sangue caboclo que corre na veia de um povo.

Autor: Lison Costa.

 Crédito das Imagens.

Pamela Soledade. Todos os direitos reservados.

www.flickr.com/photos/pamelasoledadepasten/2650197955/

Rascunho de bate/pronto, sem correções, feito as 09h54min no dia 07 de fevereiro de 2010.

LISON COSTA.

7/2/2010 13:18:47 Comentários (14) Por: LISON COSTA

 

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